O cult de Verhoeven é algo concreto. Suas qualidades são
inquestionáveis. Dito isso, a refilmagem pode deitar e rolar no farto material
apresentado pelo original, que o longa de 1987 continuará lá. E é isso o que é
feito! Aliás, é isso o que o diretor Padilha faz. E ele concebeu um blockbuster
com a sua própria visão – e quem achava a violência do filme anterior algo
impensável para a época, o mesmo vale para a autoria nos dias de hoje. Este
novo RoboCop é, do início ao fim, do homem que nos entregou Ônibus 174 e os
dois Tropa de Elite. É documental e divertido, ambas as perspectivas costuradas
pelo escopo da análise: a utilização de armamento robotizado como força na
política exterior de países como os EUA. Tudo isso conceitualmente no
protagonista (muito melhor com a máscara do que sem, diga-se de passagem). Sim,
é menos violento. Mas a violência está lá! O Robocop está lá! O final, ótimo,
apesar de diferente, é coerente com a temática e está lá. Em suma, RoboCop é
uma ótima refilmagem pra fazer chorar os puritanos que defendem, ilogicamente,
que refilmagens não devem ser feitas. Um pensamento tão útil quanto o pênis
amputado do Alex Murphy. 3/5
RoboCop / José Padilha / 2014 / 117 min.
RoboCop / José Padilha / 2014 / 117 min.
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